WordPress database error: [Table 'sunday93_autoral.wp_stqy_ppress_plans' doesn't exist]SELECT COUNT(id) FROM wp_stqy_ppress_plans WHERE status = 'true'
wp-user-avatar domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home2/sunday93/public_html/autoral/wp-includes/functions.php on line 6131soledad foi ativado muito cedo. Isso geralmente é um indicador de que algum código no plugin ou tema está sendo executado muito cedo. As traduções devem ser carregadas na ação init ou mais tarde. Leia como Depurar o WordPress para mais informações. (Esta mensagem foi adicionada na versão 6.7.0.) in /home2/sunday93/public_html/autoral/wp-includes/functions.php on line 6131Erro no banco de dados do WordPress: [Table 'sunday93_autoral.wp_stqy_ppress_meta_data' doesn't exist]SELECT * FROM wp_stqy_ppress_meta_data WHERE meta_key = 'content_restrict_data'
O post Copenhague – PARTE I apareceu primeiro em sunday slices.
]]>Capital da Dinamarca, Copenhague era para mim mais um pontinho no mapa. Eu não conhecia muito sobre o país, menos ainda sobre a cidade, que fazia eco na minha cabecinha à marca de chocolate vendida no Brasil.
Eis que decidimos passar quatro dias no berço da cultura nórdica e tudo mudou. Descobri que eles ainda têm rainha no governo, que o frio pode ser aconchegante sim e que o passado dos vikings que criaram a cidade deu lugar à tecnologia de ponta e à arquitetura sustentável. Que a maioria da população se locomove em bicicleta faça frio ou faça mais frio. E isso é apenas a pontinha do iceberg.

Para mim, Copenhague evoca : o design escandinavo, a organização coletiva impressionante baseada em muito civismo e, recentemente, o pivô da revolução gastronômica da cozinha escandinava. A Netflix começou a falar um pouco disso, em vários programas, e isso me chamou bastante a atenção. Porquê?
Aqui a razão: desde sempre, o europeu (do sul principalmente) repetia com muita arrogância que os nórdicos não tinham uma verdadeira cultura gastronômica. Isso foi até que gente como um rapaz dinamarquês chamado René Redzepi resolveu criar o que virou o “melhor restaurante do MUNDO”, o Noma. Ele e tantos outros nórdicos, como o Fäviken na Suécia, se jogaram na cozinha criativa refinada, respeitando sazonalidades e primando a qualidade dos ingredientes locais, isso tudo antes da modinha de hoje.
Aliás, os dinamarqueses, suecos e noruegueses se consagraram como precursores dessa tendência graças à algumas estrelas Michelin conquistadas com trabalho duro e a outras tantas sacadas de marketing (tipo, justamente figurar em documentários aclamados do Netflix como Chef’s Table).
Tudo isso para dizer que, ao chegar no aeroporto Kastrup, eu já estava salivando. Lendo um pouco antes sobre esse povo tão organizado e respeitador de regras eu decidi reservar meus restaurantes com antecedência – fiz bem e recomendo.
E eu já sabia que tinha que testar três coisas: frutos do mar (estando num país com 406 ilhas, parecia lógico), gastronomia tradicional e uma belezinha um tanto quanto menosprezada: o famoso cachorro-quente local. Tudo isso visitando a cidade em cima de uma bike alugada.
Logo no primeiro dia de visitas dei um jeitinho de passar perto de uma barraquinha de Pølsemand, o nome deles para o nosso “dogão”. Pesquisei antes qual seria o melhor e acabei encontrando na internet o site do DøP, abreviação de den økologiske Pølsemand, algo que em português soaria literalmente como “o cachorro-quente orgânico”. Ele é todo hipster e fofinho, do lado da torre redonda (Rundetårn), um observatório astronômico muito antigo e que vale a pena demais visitar.

Aparentemente o cachorro-quente é “o” prato típico mais famoso da Dinamarca (oi, é prato?). Estranho de entender, mas bem gostoso. O tradicional vem com salsicha de porco assada, cebolas frescas, cebolas fritas (!), picles, ketchup, maionese e o segredo dinamarquês: a “remoulade” – molho à base de maionese, creme de leite, picles, alcaparras, limão, mostarda e tantas outras coisas que eu não saberia enumerar. Definitivamente, a melhor opção de almoço num país caríssimo e que de quebra faz parte do patrimônio cultural.
Vale lembrar que no DøP eles têm opções veganas e também sem lactose.
Pedimos logo dois assim que chegou a nossa vez na fila que pegamos. As salsichas fumegantes foram a boa pedida para o clima geladinho. A única coisa negativa é que o cheiro de cebola fica com você o resto do seu dia. Ossos do oficio, fazer o quê …
(continua…)

DøP : Amagertorv 31, 1160 København, Danemark
Site: DEN ØKOLOGISKE PØLSEMAND
O post Copenhague – PARTE I apareceu primeiro em sunday slices.
]]>O post Brutos – Paris apareceu primeiro em sunday slices.
]]>E para os momentos de nostalgia, saudade e sobretudo aqueles em que a gente precisa retomar o fôlego, porque se dá conta do absurdo quotidiano que é viver a um oceano de distância daquele quadradinho tão aconchegante chamado Brasília, eu reservo esse restaurante.

O Brutos, apesar do nome, é tudo, menos brutal. Primeiro graças à decoração minimalista – mas bem cuidada, luzes amareladas e de baixa intensidade que criam um conforto imediato, completo pelas velas e pelos delicados arranjos de flores nas mesas. Em seguida pelas músicas de fundo, sempre gostosas e bem selecionadas. E sobretudo pelo perfume acolhedor de comida grelhada que emana da cozinha. Isso tudo é obra de um casal de chefs brasileiros, Lucas Baur de Campos e Ninon Lecomte, que conseguiram de maneira muito bem-sucedida casar Brasil e França sem ter que cair nos clichês. Alias, a origem tupiniquim não é o foco da comunicação feita pelo restaurante, e ainda bem porque o Brutos é tão mais do que uma etiqueta redutora de proveniência.
As entradas variam com frequência. Pude degustar dadinhos de tapioca, pastéis caseiros recheados de chouriço e ricotta ou até coração assado (mas dessa vez de pato e salteado com cerejas). Pequenas iguarias da terrinha preparadas com o refinamento que vemos somente na bistronomia francesa mais hypada. Tudo varia de acordo com as estações, como uma boa cozinha deve ser.

A especialidade do restaurante é o grelhado na brasa e a cada vez acabo pedindo a maminha que vem com chimichurri, fritas & maionese caseira e farinha de mandioca. Vi também no cardápio peixes e legumes, mas nunca tenho coragem de abandonar meus prazeres carnívoros tão raramente saciados na França – questão de corte, para mim os pampas são imbatíveis. Os vinhos vêm da escola biodinâmica. Naturais, não destoam da moda parisiense e mostram que Ninon e Lucas sabem muito bem o que estão fazendo. Se você não conhece, dê uma chance.
No final, sempre cedo a uma sobremesa que me da um calorzinho no meu coração mineiro: banana com doce de leite e creme com coco ralado.
Quando vou ao Brutos, lembro que encontrei minha casa aqui. E tenho essa confirmação reconfortante e otimista de que é possível sim, viver entre dois mundos, se adaptar a uma outra cultura sem perder totalmente o je-ne-sais-quoi brasileiro.
Brutos: 5 rue du Général Renault 75011 – Paris
Site: www.brutosparis.com
Tél: +33 1 48 06 98 97
O post Brutos – Paris apareceu primeiro em sunday slices.
]]>O post Jerusalém – Modern apareceu primeiro em sunday slices.
]]>No Museu de Israel foi diferente. Entramos receosos em um dos dois restaurantes, o Modern. A decoração é inspirada por artistas do começo do Modernismo Internacional. Bem iluminado, arejado e cool. A cozinha é local, com ingredientes da região e pratos tradicionais de cem anos, trazidos pelos imigrantes de todos os cantos do mundo para a Terra Santa e revisados pelo chef. O restaurante tem três espaços: uma sala enorme e bem arejada, um terraço com oliveiras e ainda um outro terraço secundário, para acolher tantos visitantes do museu.

Pedimos a salada israelense como entrada, kadaïf recheado com frango, cebolas e nozes e dumplings de carne ensopada como pratos principais e nada de sobremesa, por estarmos apressados para terminar de visitar esse museu magnífico. Para acompanhar, um clássico da região: limonada geladinha. E então o receio ficou para trás e os nossos queixos no chão. A salada israelense é uma entrada simples: cebola, tomate, pepino, sumo de limão, azeite e pimenta do reino e folhas de salsinha picadinhas. Perfeito para refrescar em dias quentes, e abriu nosso apetite. Roubamos a receita para copiar em casa também!
Os pratos super bem montados pareciam obras do museu. As receitas antigas da cidade de Jerusalém foram reinterpretadas de maneira criativa, graças à engenhosidade gastronômica do chef, casando sabor e visual. O tal kadaïf é uma massa em fios bem fininhos. Outro nome para isso é knafeh, tradicionalmente em forma de sobremesa. Mas aqui o kadaïf é recheado com frango e foi servido com uma decoração à la Jackson Pollock. Crocante e surpreendente porque a mistura de sabores e texturas não parece com a nossa culinária.

Já os dumplings foram inspirados por uma receita antiga e clássica: o ensopado de carne e alcachofras, geralmente dedicado ao Shabbat, o dia de repouso da religião judia. Os ensopados são receitas preparadas durante longas horas antes do Shabbat. Aqui a carne ensopada recheia os dumplings e o seu molho contém as famosas alcachofras da região e também tomates, azeite e sumo de limão. Uma delicia com ares de comfort food, comida de vovó. Saímos de lá contentes, satisfeitos e cheios de energia boa para continuar a visita de um dos maiores museus do Oriente Médio. Se por acaso passar pela Terra Santa, reserve um tempinho para esse lugar incrível, fica a dica.

Fotos: Edouard Ormancey
Restaurante Modern: 11 Derekh Ruppin, Israel Museum, Jérusalem 9543500 – Israël +972 2-648-0862
O post Jerusalém – Modern apareceu primeiro em sunday slices.
]]>O post Jerusalém – Comer, rezar e comer apareceu primeiro em sunday slices.
]]>
O post Jerusalém – Comer, rezar e comer apareceu primeiro em sunday slices.
]]>O post Uri Buri – Acre apareceu primeiro em sunday slices.
]]>Sim, o mar (lago) da Galileia é de um azul tocante e eu nunca havia me sentido tão próxima de um amor infinito antes de ser abraçada pela brisa do alto do Monte das Beatitudes. Dizem que foi lá que Jesus recitou as palavras mais bonitas da sua breve existência terrena. Sim, consegui perceber que essa terra tão disputada é verdadeiramente o umbigo do mundo, uma única cama para dois sonhos, como diz um dos guias que eu li. Alguma coisa de sobrenatural aconteceu ali, certamente. Sim, eu senti todas essas intensidades, boas e ruins, de um lugar onde o amanhã é incerto e onde dizem que um dia vai rolar o tal do Juízo Final. Treta pesada.

Mas a experiência mais transcendental que eu tive não tem nada a ver com credo. Ela aconteceu graças a um senhor de mais de 70 anos, chamado Uri Jeremias, a 90 km ao norte de Tel-Aviv, em uma cidade portuária, carregada de história. Acre, ou Akko para os locais, era o ponto de chegada dos barcos europeus que vinham em peregrinação na época das Cruzadas. Algumas ruinas daquele tempo foram transformados num museu medieval que vale muito a pena visitar.
Mas voltemos ao personagem: Uri parece ser um cara de outro planeta. Digo “parece” porque não tive a honra de conhecê-lo. Conheço a sua história: menino hiperativo, vivia pescando, caiu cedo no mundo e depois de muitas idas e vindas decidiu dirigir uma van da Alemanha até a Índia, onde ficou durante um ano numa vida nômade e onde se apaixonou pela cozinha, até terminar a viagem no Nepal. De volta numa segunda-feira à sua cidade, foi numa festa na sexta, conheceu sua vizinha, prometeu amor eterno e 48 anos depois ainda estão casados. Uri Jeremias é dessas pessoas intensas, vividas e decididas. Em 1988, graças ao conselho de um amigo, abriu um restaurante especializado em peixes e frutos do mar: o Uri Buri.
O Uri Buri é uma combinação de tudo o que eu senti nessa viagem. Uma experiência forte, tipo um tapa na cara merecido e a sensação de ter crescido um pouco mais saindo de lá. O local é simples, sem músicas ou decorações. Foco na comida, foco no que importa. Toalhas brancas, pratos também. Reserva obrigatória, o restaurante fica sempre cheio. O garçom chegou com os cardápios, mas já falando ansiosamente sobre um menu degustação. Opa. Grande hesitação: eu tinha lido em vários sites sobre como a comida era boa, mas não que eu não teria opções. Vi dois pratos principais vegetarianos e pensei: bom, vai ser um deles. Edouard? Tranquilo, come de tudo, pelo menos ele vai aproveitar.

Agora, sobre o meu problema: eu não suporto peixe. Até o dia em que eu pisei no Uri Buri. Depois de muita hesitação, pedimos duas entradas tímidas acompanhadas de vinho branco. Alias, parênteses: o vinho local é EXCELENTE. Pode ir sem medo. Nosso sashimi de salmão no shoyo com sorvete de wasabi e ceviche de dourado me deram um baque. Peraí, pensei, eu estou num restaurante muuuuito bom. E de repente veio essa sensação de descontrole e improviso, deliciosa, que a gente experimenta apenas viajando.

O garçom voltou, dessa vez acompanhado de uma garçonete mais experiente, um tanto quanto autoritária, que roubou a cena. Já havíamos escolhido os nossos pratos, mas ela não quis saber. Depois de ouvir que gostamos das entradas, ela cancelou tudo e me disse que eu ia comer um peixe-lobo grelhado com purê e que Edouard ia provar uma espécie de moqueca branca de robalo com arroz e leite de coco. E que depois enviaria as vieiras salteadas com creme de algas marinhas à mesa. Sem pedir licença, mas dizendo que caso a gente não estivesse satisfeito a comida voltaria para a cozinha sem nenhuma cobrança. Entrei no jogo. Olhei no olho dela, bem lá no fundão mesmo e falei no mesmo tom desafiador: Quer saber? Está bem. Tomara que seja bom mesmo, porque eu decidi confiar em você. Colhões, minha gente, tive que ter. E que decisão acertada. Meu milagre aconteceu bem ali, naquela mesa. Fui nesse restaurante por causa de um homem, mas conheci a razão de sua grandeza graças a uma mulher. O Uri Buri é uma lenda viva. Pessoas (e chefs) do mundo todo passam por ali para experimentar a comida, numa espécie de peregrinação gastronômica.

E que assim seja, amém.
Fotos: Edouard Ormancey
Uri Buri: Ha-Hagana Street, Acre, 24315, Israel. Tel: +972 4-955-2212
O post Uri Buri – Acre apareceu primeiro em sunday slices.
]]>O post Palermo III – Sicília apareceu primeiro em sunday slices.
]]>A noite palermitana é muito viva. Os locais, quase sempre vestidos e vestidas de um preto intenso que vai muito bem com a cor dos cabelos e das peles bronzeadas, vagueiam pelas ruas a partir das nove horas da noite. Antes todos comem e se repousam. Saímos uma noite sem rumo e acabamos numa ruela chamada Discesa dei Giudici, no que para mim é o melhor bar à coquetel do mundo. Do mundo porque cada um dos drinks foi feito com muita calma e explicação. Das vantagens de encontrar um bar que acaba de abrir e quer conquistar a clientela.

Francesco parece ter pouco menos de trinta, mas domina sua arte. Enquanto prepara nosso pedido, um Negroni e um Americano, nos faz experimentar cada ingrediente e adiciona um toque especial com a laranja típica da região. St’orto é o nome do bar. Uma brincadeira com a palavra “Torto”, deve ser como alguém normalmente sai desse bar, ou apenas porque a rua é uma descida e que a fachada fica um pouquinho torta. A rua, lotada. Uma atmosfera que para mim, na Europa, existe apenas na Italia. Os italianos dominam a noite, a rua. Eles inventaram o “aperitivo”, escutam rock’n’roll e parecem gatos pardos.
Nessa conhecemos Adriana. Uma brasileira mágica, quase bruxa de tão fascinante, que mora há mais de 20 anos em Palermo, ama sua cidade e conhece tudo e absolutamente todos. Adriana me escutou falando em italiano com o barman e logo ali fomos os quatro sentar para conversar em francês, italiano, inglês e português. Ou algo que parecia isso. Se alguém vai a Palermo, procure Adriana, uma ruiva carismática, artista e mãe de um garoto lindo de 12 anos. Foi a Adriana que me indicou o melhor Kebab de Palermo: o Kebab do Mounir. Se você tomou todas no St’orto e que já é tarde: dê uma passada no Mounir, não muito longe dali. Com certeza nao vai se arrepender, mas leve dinheiro vivo. Com 6 euros você alimenta duas pessoas muito bem.

Além do Sto’rto um bar na mesma rua merece menção honrosa. O Primus bar não parece tão sedutor à primeira vista. Giuseppe, o dono, é tímido mas como fomos em uma noite bem calma, tivemos a chance de conhecer melhor essa pessoa apaixonada por Palermo. Ele conhece cada monumento e documentário sobre a sua cidade. E de quebra faz um White Russian delicioso, sem deixar nada a dever ao vizinho mais hipster.
Palermo não é a cidade italiana mais estonteante. A maioria das belezas, como a doçura dos seus habitantes, estão escondidos, esperando que alguém insista e ultrapasse a primeira barreira do estranhamento. Quando for a Palermo, saiba apenas uma coisa: você não volta indiferente.
Fotos: Edouard Ormancey
St’orto: Discesa dei Giudici, 40-4 Tel: +39 091 274 8549
Primius: Discesa dei Giudici, 26 Tel: +39 091 616 7669
Mounir Pizzeria & Kebab: Via Giovanni da Procida, 19 Tel: +39 091 773 0005
O post Palermo III – Sicília apareceu primeiro em sunday slices.
]]>O post Palermo II – Sicília apareceu primeiro em sunday slices.
]]>Palermo é conhecida na Sicília por ser a capital do street-food, comida de rua e ambulante. Analisando a economia italiana, compreendemos rapidamente que a região não é das mais ricas e por isso é terreno fértil para a criatividade. O Pane con la milza (pão com baço de boi), o sfincione (pão esponjoso coberto com passata de tomate e anchovas) e a famosa arancina (espécie de coxinha feita de arroz e açafrão recheada) são os mais conhecidos. Nessa passagem relâmpago conseguimos provar os dois últimos. Confesso que prefiro os nossos salgados, mas entendo a fascinação.

Conseguimos também visitar o famoso Mercado Ballarò. A influência árabe é viva ali. Essa enorme feira ao ar-livre (ao que parece uma das maiores da Europa) me fez pensar muito no ambiente dos souks marroquinos e dos mercados de rua franceses: bancas com todos os tipos de verdura, carne, especiarias, doces, barraquinhas fazendo comida, bagunça, sujeira e gritaria. Uma menção verdadeiramente honrosa para os pescados: frescos, reluzentes, algumas vezes ainda vivos. Também nunca vi tão abundante e bonito no mundo.

Andando nesse mercado, fomos rapidamente abduzidos, ou seduzidos eu diria melhor, por um grupo de senhores na casa dos 60 anos que nos propunham a degustação de uma carne estranha. Com certeza eram peças de intestino, baço ou coisa do gênero. Decidi me aproximar, receosa. Um deles, dono do estabelecimento, Pipo, nos fez experimentar em um pratinho de plástico um corte desconhecido num tipo de salmoura e sumo de limão. Para não fazer feio, comemos. Fizemos bem. Ele nos deu também uma dose de um licor caseiro à base de vinho. Felicidade por apenas 3 euros.

PALERMO TAMBÉM TEM POMPA
Mas acho que o ponto mais alto dessa viagem foi um restaurante que reservamos meio que por acaso, depois de ter lido alguns guias e sites sobre a gastronomia local. Esse restaurante se chama Osteria Dei Vespri. Ele fica num bairro chamado Kalsa, atrás da entrada do Palazzo Ganci. Nesse palácio magnífico, em 63, foi filmada a obra-prima do cineasta Luchino Visconti: Il Gattopardo, com Alain Delon e a vedete Claudia Cardinale. Apenas por essa razão já valia a pena.
Essa Osteria é mais que charmosa. Um ar quase medieval, com vigas de madeira. Pequena, luz âmbar, música francesa. (Agora que eu moro a França não curto mais música francesa no restaurante, mas entendo o delírio). Fomos recebidos por uma moça elegante, sorridente pero no mucho, e ela nos instalou em uma mesinha modesta escondidinha embaixo da escada, porém romântica. Tudo o que a gente gosta. (Passei também a prestar bastante atenção no serviço de mesa).

A execução foi perfeita, desde os amuses-bouches inspirados da comida de rua palermitana até a sobremesa . Os pratos principais: ravioles de cordeiro e canelones com trufas, finos, delicados, saborosos, marcantes mas nunca deselegantes. Tudo com uma bela garrafa de vinho natural siciliano.
Os doces merecem um paragrafo a parte. Os chefs Andrea e Alberto Rizzo conseguiram, neste restaurante, juntar a tradição siciliana com a modernidade da cozinha gastronômica de alta qualidade. De deixar muitos restaurantes parisienses esnobes no chinelo. Uma das sobremesas era um crumble de bananas, menta, mel perfumadas em flor de laranjeira. Do ladinho veio uma mini porção de sorvete de pistache. Eu não sabia se estava no Magreb, na Itália, na casa da minha avó ou simplesmente em um sonho.
E claro, antes do doce tinha um pré-doce. Depois do doce tinha biscoitinhos açucarados para acompanhar o café. Se não fosse assim, não era a Sicilia.
Mercado Ballarò: aberto todos os dias, de 07h30 às 20h de segunda à sabado e até 13h no domingo. Se estende desde a Piazza Casa Professa até o bastião do corso Tukory .
Osteria Dei Vespri: Piazza Croce dei Vespri, 6 Tel: +39 091 617 1631
Fotos: Edouard Ormancey
O post Palermo II – Sicília apareceu primeiro em sunday slices.
]]>O post Palermo I – Sicília apareceu primeiro em sunday slices.
]]>Para início de conversa, a Sicília é uma ilha vulcânica. E tanto a separação do continente quanto a singularidade da paisagem local ou mesmo a proximidade da África, podem ser apontados como os responsáveis por uma atmosfera incomparável a qualquer outra região italiana. Fala-se italiano, mas é possível sentir claramente que a alma siciliana, e principalmente seu dialeto, é mais diversa, presente e intensa que a identidade unificadora da bandeira verde, branca e vermelha.
Em termos de gastronomia, as influências dos vários povos que passaram por ali ainda persistem, sendo as referências árabes na culinária local as mais marcantes. Foram eles que trouxeram as laranjas e limões, frutos icônicos sicilianos. Dizem também que foram os árabes que misturaram a neve do Etna com suco de frutas e cana de açúcar e criaram a granita e o sorvete bem ali. Aliás, a manipulação bem-sucedida do açúcar na Sicília criou a reputação indiscutível dos doces locais.

E claro, uma ilha é circundada de água do mar e por isso a gastronomia local é fortemente dependente da pesca. Mas, a terra ali também é rica e próspera, propicia o cultivo de muitas ervas aromáticas (orégano, rosmarinho, menta), cítricos, amêndoas, pistache e azeitonas. Graças à imigração hebraica e a influência do judaísmo, os sicilianos aprenderam a cozinhar “de maneira apropriada”, fritando o alho no azeite de oliva para dar mais gosto aos vegetais e aprendendo que do alimento nada se joga fora, nem mesmo a parte mais insignificante. Com a dominação normanda, a caça dos animais silvestres e técnicas culinárias se juntaram à tradição e os espanhóis inseriram as frituras. Dos exploradores da China e da Índia vieram as berinjelas, base de muitas preparações da região.
Tudo isso para dizer que com tanta riqueza gastronômica, a cozinha siciliana é o espelho da dieta mediterrânea tradicional, considerada como Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, tombada pela Unesco em 2008. Nem falemos dos monumentos históricos e igrejas, porque senão esse texto não vai ter fim.
SE APAIXONAR POR PALERMO
Tive a oportunidade de passar quatro dias em Palermo. Pouquíssimo tempo para cobrir a beleza dos monumentos e a pluralidade das delícias. Palermo tem dessas coisas de cidade quente: vida notívaga e em defasagem com o resto do mundo. Por isso, tivemos que adaptar a nossa rotina para acordar mais tarde, saltando algumas visitas e começando o dia às onze e meia, sempre com um café lungo e bombas fritas roladas no açúcar e recheadas com creme. E obviamente, o suco de laranja sanguínea espremido na hora.

Não sei o que faz com que esse creme, localmente chamado de crema pasticcera, seja tão perfeito, mil vezes melhor que o recheio do nosso sonho de padaria. Acho que essa delícia concorre apenas com a ricota local, e apenas para ela, perde. A ricota siciliana é base para vários doces clássicos como a cassata ou o cannolo. Esse último me surpreendeu.
Explico: eu detesto doces em geral. Verdade. Não me ligo muito em açúcar ou em chocolate (EU SEI, sou estranha). Então, eu sempre via essas pessoas viajando para a Sicília e falando desse tal de cannolo com uma adoração digna das procissões católicas das igrejas italianas. Eu desdenhava, falava que não tinha como um doce ser isso tudo, porque era um doce apenas. Até tinha provado um ou outro em Paris e realmente, não tinha graça.
Tive que morder a língua. Lamber os beiços, quase chorar de alegria e me entupir dessa coisa divina que eu nunca vi igual em lugar nenhum. Qualquer coisa que você experimentar fora da Sicília com o mesmo nome não vale. Ali, e apenas ali, você está a dois passos do céu. Eu acho. E uma foto não consegue fazer jus à experiência gustativa.

Fotos: Edouard Ormancey
Canolissimo: Via Vittorio Emanuele, 407
(Continua.)
O post Palermo I – Sicília apareceu primeiro em sunday slices.
]]>O post Quem somos – Jordana Felisberto apareceu primeiro em sunday slices.
]]>Mas não foi do dia para a noite. Tive que atingir a maioridade, deixar o Brasil e morar fora, comer muita porcaria congelada e barata de supermercado até me interessar a me virar na cozinha (com pouca grana) para não pagar mico com os amigos, frequentar gente e lugares diferentes e somente enfim descobrir que comer é bom demais. Bobinha, eu sei… tive que crescer apenas. Pois bem, me voilà – aqui estou, como dizem aqui na França.
Claro que morar em um país referência da gastronomia mundial ajudou. Queijo Brie e vinho bom a preço de banana é melhor, né? Amigos, namorado e a tendência da democratização da comida “gourmet” também tiveram sua parte nesse “upgrade”.
Mas, honestamente, tenho ainda muita coisa para aprender e melhorar. Se alguém quer saber uma verdade bem verdadeira sobre mim, falo com um pouquinho de vergonha e voz tímida: ainda não consigo comer peixes cozidos, nem alguns frutos do mar. Nem pimentas e pimentões: difícil de digerir. Chocolate e doces em geral não me fazem a menor tentação. Ah, miúdos também não são muito a minha praia. Porém, eu sei que pouco a pouco meu paladar vai mudando, se renovando e, sobretudo, minhas viagens me ajudam bastante a evoluir.
E é disso que eu quero falar aqui. Quero dividir com você, nessa coluna, as minhas experiências. Aprendizados, sabores, cheiros e texturas que vou encontrando nos caminhos desse mundão velho que tenho tentado explorar aos poucos e em fragmentos. Quero também contar das descobertas singelas do dia-a-dia, dos pequenos cantos espalhados pela cidade onde eu vivo – e que brotam como cogumelos nesse terreno fértil que é Paris. E porque não, dividir também os personagens, os encontros e a poesia da vida que tenho levado, ou melhor, que me leva por aí…
Então, vamos?
O post Quem somos – Jordana Felisberto apareceu primeiro em sunday slices.
]]>