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O post Gatherings – Flora Shedden apareceu primeiro em sunday slices.
]]>E por gostar tanto deste movimento do universo que quando vi o livro “Gatherings” na estante da livraria, corri para folhear e me apaixonar. (Gatherings do inglês significa encontros). As lindas fotos foram o primeiro atrativo, em seguida a forma como o livro é dividido, os nomes dos capítulos eram tão aconchegantes: “manhãs rápidas ou vagarosas”, “comida para nos lançarmos juntos”, “drinks e outras delícias para celebrar”, assim começam alguns dos capítulos que nos levam a querer organizar pequenos e grandes encontros toda semana para colocar em prática as receitas do livro rosado.

Assim como eu, Flora Shedden é uma cozinheira do cotidiano, uma pessoa apaixonada pela cozinha e pelas pessoas que a cercam, que buscou levar suas principais receitas de casa para o livro. Era como se eu lesse a mim mesma, no livro que ainda não escrevi. E quando o assunto é comida, eu gosto de abraçar a tudo e a todos, conhecer formatos novos ou básicos, receitas clássicas ou inovadoras, de grandes chefs de cuisine ou de grandes cozinheiras do dia-a-dia.
A receita que escolhi foi a do Risoto de Aspargos. Para algumas pessoas pode ser já batido e nada inovador, para mim é um lugar de conforto sem fim. Eu faço bons risotos! Morro de orgulho deles! Já passei a virada de meia noite em festa de ano novo na beira do fogão, mexendo sem parar os belos grãos de arbóreo – e prometi nunca mais fazer isso de novo – é uma constante da minha cozinha, confortável de fazer e de comer.
Quando o livro chegou aqui em casa, abri e caiu na página 92, e havia ali uma bela foto de aspargos verdinhos. Era a minha deixa! Separei uma garrafa de um Chadornay bem gostoso e geladinho, preparei a comida e reuni a família para saborear!

Caso você ainda não tenha feito um risoto na vida, tudo bem! Cuide de seguir os detalhes importantes que fica fácil:
. Para se fazer um risoto, o arroz utilizado deve ser o arbóreo ou carnaroli. Ao contrário dos outros arrozes que devem ser lavados ou demolhados antes de se usar, este arroz vai seco para a panela, pois são exatamente os amidos dele que queremos para dar aquela consistência e cremosidade tão apreciada (não, risoto não é arroz com creme de leite!)
. Um bom vinho branco sim!! Uma regra que aprendi anos atrás é: sempre que for usar vinho pra cozinhar, use um vinho que goste de beber. Primeiro porque não usamos tudo e o restante segue para a taça, depois porque cozinhar é ato de amor e carinho, e nossa comida merece ingredientes gostosos, né?!
. O caldo merece atenção! Já fiz risoto usando o tal caldo industrial, quadradinho, e fica bom, mas nem tanto, fora que ele é cheio de glutamato, coisa que aboli da minha cozinha há anos. Então, a dica preciosa aqui é: invista no caldo caseiro! AQUI você descobre como é fácil de fazer e uma super economia para sua vida!
. Certa vez vi o Jamie Oliver dando a dica de deixar o risoto quieto na panela por uns 10 minutos antes de servir, para que os sabores aparecessem mais. Testei e curti! Mas só vale mesmo quando se usa uma caçarola grande e funda.
. Queijo é bom, mas não é essencial. Dá perfeitamente para se fazer um belo risoto sem queijo, mas se você não abre mão, invista em um ótimo parmesão ou queijo bem curado e rale na hora. O sabor de um bom queijo ralado na hora é outro!!!
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]]>Bom, mas como (quase) tudo na vida, nada é perfeito, e a medida que ia me envolvendo com o livro, percebi alguns detalhes que incomodaram. Não sei se foi a edição brasileira que adquiri ou o próprio livro, mas o índice não bate com a realidade das páginas e aí você tem que criar formas de encontrar sua receita, o que não é difícil pois ele as numera por menus. Para os vegetarianos e veganos, o lado ruim é que em seus menus sugeridos (entrada + principal + sobremesa), o chef não abre mão de proteína animal no prato principal, o que não atrapalha em nada também, pois a maioria das entradas já é quase um prato principal em si! E a última ressalva que encontrei em tão lindo livro, é que a receita de carbonara dele leva creme de leite!

Ok, avisos dados, voltemos a adorar e nos divertir com esta ótima criação editorial para o mundo das comidas deliciosas!
As primeiras páginas são todas dedicadas aos equipamentos legais de se ter em casa, instruções detalhadas para o ovo perfeito e muitas outras dicas incríveis que fazem qualquer pessoa se tornar um às da cozinha. Depois ele traz os menus já pensados, para cada dia, e demonstra o tempo e ingredientes necessários para a preparação, e aí tem as fotos! As fotos do passo a passo de cada execução são apaixonantes, hehe. Principalmente porque, com o livro ali aberto ao seu lado, enquanto você cozinha, consegue perceber se errou ou não, se está tudo indo bem. E foi assim que fiz, acertando logo de primeira, uma receita de minha infância: flan de coco!
Toda família tem suas tradições gastronômicas e na minha, com certeza, elas não faltam! Uma delas é a mousse de coco com calda de ameixa da tia Marilene! Huummm, memória afetiva vai longe só de escrever! Mas, com a retirada de leite e derivados de minha vida, ficou para trás a sobremesa favorita dos encontros familiares. Ao longo dos anos, até tentei encontrar uma receita ou outra, mas sem sucesso. E aí veio o livro do Adriá me mostrando este flan, que não leva laticínios e saí correndo para testar! Ficou deliciosamente bom, mesmo que um pouco diferente do da minha tia, pois a calda sugerida no livro é de caramelo e não de ameixa. E o que fez ficar essa delícia toda foram as fotos! Foi vendo as fotos que percebi que meu flan não estava tão denso quanto deveria estar. Como uso leite de coco natural, que faço em casa, uso as duas partes do leite, a gordura e a parte mais líquida. E claro, é preciso ter em mente que quando estamos vendo receitas estrangeiras temos que considerar a origem dos ingredientes, leite de coco na Europa é quase todo industrializado e bem denso, o caseiro é mais líquido e não atinge o mesmo ponto, já que a maioria dos industrializados possui emulsificantes. Adicionei então um pouco de óleo de coco (justamente pra emulsificar a mistura) e tapioca para criar a densidade faltante, e pronto, flan lindo e gostoso! Teste em casa e conte para gente qual foi o tipo de leite de coco que usou!

Fotos: Thamires Santiago
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]]>O post Lima – cozinha peruana contemporânea apareceu primeiro em sunday slices.
]]>Bom, toda essa recordação de uma experiência incrível é para introduzir nosso livro da vez “Lima, cozinha peruana contemporânea” escrito pelo Virgílio Martinez. Quando vi este livro na estante da livraria, o abracei como se fosse um amigo querido e trouxe para casa dando pulos de alegria! E a cada página virada: um aprendizado, uma ideia, um suspiro de saudades de tão rico país! O livro foi publicado em 2015, na Grã-Bretanha, e ganhou sua versão brasileira em 2016 pela Publifolha. O foco do livro, que tem o mesmo nome do restaurante Londrino, é a experiência peruana que os chefs levam ao velho continente. E pelo mundo afora, o que se pensa é em Ceviche, porque é disso que o povo gosta, hehehe! Mas calma, nem tanto assim! O livro tem sim um capítulo quase todo dedicado a mais famosa iguaria peruana, porém não abre mão de mostrar ao público em geral, tudo aquilo que o país andino tem de lindo. São sete capítulos de receitas incríveis que vão do petisco à sobremesa, passando por bebidas, ceviches, pastas de ají e quinoa, alias muitas ideias lindas com quinoa!!!

Quer aprender a fazer um leche de tigre básico, está ali! E se for vegetariano? Tudo bem, tem a versão sem caldo de peixe também! Leite de quinoa batido com frutas vermelhas, um passo a passo para um pisco sour perfeito, molhos apimentados, vários tipos de causas (prato super tradicional a base de batata), carnes apimentadas de tirar o fôlego, sorvetes incríveis e chocolates. Está tudo ali, nas 223 páginas coloridas de Lima. Um livro para ter na estante da cozinha, ler e aprender com amor, e quem sabe não te incentivar a planejar logo uma visita à Lima para ir ao Central, não é? Vale uma esticada em Cusco (afinal, Machu Picchu, né) e conhecer o Mil também, o novo local de pesquisa e desenvolvimento de Virgílio e Pía. Mas afinal, diante tantas possibilidades incríveis, de receitas maravilhosas, qual vamos trazer para vocês? Chocolate crudo y muña! A última receita do livro, a primeira que abri e fiz, e que já rendeu tantos elogios e comilanças por aqui. Para variar, não segui a receita original do livro, apenas porque ainda não consegui achar uma boa manteiga de cacau no mercado, mas se você achar, por favor, a utilize! Aliás, bons ingredientes fazem toda diferença nessa receita e fica a dica de investir bem neles!

“O que nos une à mesa é, acima de tudo, nosso desejo de compartilhar momentos felizes. E como nossa cozinha é parte de nossa cultura, muitos aspectos de nossa identidade se refletem no modo como cozinhamos.”
Fotos: Thamires Santiago
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