Muitos dos meus livros foram garimpados em viagens por aí. Aliás, viajar para descobrir novos sabores, culturas, lugares e pessoas é uma grande paixão de nossa família, por isso, muitas vezes nossa comida do cotidiano reflete temperos distantes. É a saudade em forma de aroma! O livro desta coluna veio de uma viagem a Buenos Aires, e está longe de falar sobre Parrilla, pelo contrário, traz os benefícios do crudismo em receitas super bacanas, que me abriram novos horizontes e perspectivas. O livro é escrito por Anya Ladra, chef especializada em comida vibrante, viva e deliciosa, e é exatamente isso que ela busca levar a quem lê o livro. Uma explosão de cores e possibilidades! O segundo capitulo traz a sugestão de um programa detox, que está ali, despretensioso, sem dizer “não faça, não coma, não pense”, apenas sugere, e caso seja de seu agrado, faça! Confesso que não sou a maior fã de seguir dietas ou programas, mas achei este tão leve e colorido que resolvi tentar o de cinco dias. Cinco dias viraram 10, 10 viraram 15 e foram duas semanas que me senti no auge de energia, vitalidade e satisfação.
Meu capitulo favorito é o de sucos e vitaminas que traz dezenas de combinações de frutas e legumes, além do mais completo (e gostoso!) suco verde que já fiz. Nunca imaginei que diria que salsinha na vitamina de melão e morango seria uma ótima ideia, ou que pimenta caiena na limonada seria uma combinação tão deliciosa. Ajudou bastante o fato de que sempre gostei muito de apenas uma super vitamina no café da manhã. Desde adolescente, fazia um grande jarro toda manhã e dividia entre meu irmão e eu. Depois que casei, o hábito diminuiu um pouco, mas pelo menos duas vezes por semana, sempre foi este meu café da manhã. Trazer então essa atividade para o cotidiano, além de agilizar a vida, foi um resgate e autoconhecimento sobre o que eu realmente gosto, e como meu corpo reage a determinados alimentos e formatos. E foi este livro que me trouxe esta consciência.

Outra grande descoberta foi o funcho, ou erva-doce. Como o livro é inglês, muitas vezes recorri ao tradutor para saber exatamente o que significava aquele ingrediente de nome não usual, e assim, o fennel apareceu ali no capitulo de saladas. Nunca tinha comido o funcho assim, e fui procurar nos mercados. Foi uma alegria descobrir com facilidade o ingrediente e passar a usá-lo nas saladas do cotidiano. Pesquisei mais, e descobri como usar ele cru, cozido ou assado! Uma Delícia! Quando cheguei nos capítulos de entradas e pratos principais, descobri as possibilidades da comida crua para além das saladas. Mas já confesso aqui, não segui a risca não! Na cozinha do cotidiano, muitas vezes temos que adaptar a receita à nossa cozinha, e alguns utensílios podem ser caros. Então, nestes capítulos, quando o pedido era para desidratar o alimento, eu o cozinhava mesmo, até porque meu objetivo não era seguir à risca as teorias do cru. E acredito que seja exatamente aí que resida a beleza dos livros de culinária. Eles são inspiração para sua cozinha do dia-a-dia, ideias de como alterar o cardápio de sempre, trazem novas formas de usar o mesmo ingrediente, e nem sempre precisam ou devem ser obedecidos pois o seu paladar e suas preferências nem sempre serão o mesmo de quem escreveu. E assim, a receita de hoje é a tartlet de azeitonas e tomates com base de nozes. Uma receita de prato principal, que surpreende pelo sabor incrível e não é necessário seguir o crudismo, se não for sua onda. E tá tudo bem!
A receita tem tradução livre.
Fotos: Thamires Santiago
INGREDIENTES
- 150g de nozes
- 80g de tomates secos (eu uso o seco mesmo, que não está no azeite)
- 3 cogumelos Portobello grandes
- 6 colheres de sopa de azeite extra virgem
- 150g de azeitonas pretas picadinhas (fica a dica de investir na azeitona azapa, a diferença no sabor é grande)
- 3 tomates italianos
- 1 cebola roxa
- 1 colher de sopa de vinagre balsâmico
- 1 forma média (ou 3 pequenas, a depender de seus utensílios) de fundo removível.
PREPARO
- Deixe as nozes da base em demolho na água por no mínimo 3 horas. Em outro recipiente, deixe o tomate seco de molho na água morna por 15 minutos.
- Quando prontos, escorra a água das nozes e do tomate seco e coloque num processador até que vire uma pasta. Se achar que está muito seco, adicione um pouquinho de água, mas o objetivo é que não fique molhadinha. Adicione um pouco de sal e pimenta a gosto. Transfira a massa para a forma e pressione bem com os dedos.
- Caso você possua um desidratador, pique os cogumelos em grossas farias horizontais, misture com 2 colheres de sopa de azeite e coloque no desidratador a 46° por pelo menos 2 horas, até que fiquem com aspecto de cogumelos salteados. Caso não possua, faça os cogumelos salteados na frigideira ao final da montagem. Para saltear, use 2 colheres de sopa de azeite e sal, e os coloque na frigideira quente, mexendo sempre. Assim que ficarem macios, estão prontos.
- Coloque as azeitonas pretas picadas e 2 colheres de sopa de azeite no processador até formar uma pasta grossa. Reserve. Coloque os tomates picados, a cebola e 2 colheres de sopa de azeite no processador para misturar apenas, sem deixar formar uma pasta. Transfira para uma cumbuca grande, tempere com sal e deixe descansar por 30 minutos. Após 30 minutos, escorra o liquido dos tomates e adicione o vinagre balsâmico.
- Retire a base de nozes da forma e preencha com camadas da azeitona, do tomate e do cogumelo.
- Sirva imediatamente!
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